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Conto erótico gay – O DONO DA COLEIRA – QUANDO O CHEFE VIROU SUBMISSO Capítulo 1.

O DONO DA COLEIRA – QUANDO O CHEFE VIROU SUBMISSO (1)

Capítulo 1: Vira a Mesa, Moleque

A sala de reuniões da Construtora Áurea era tão fria quanto o olhar do seu dono. Vidro do chão ao teto, vista para o centro de São Paulo, móveis de madeira escura que valiam mais que o salário de um estagiário. E era lá, na ponta da mesa de mogno, que Heitor Dias gostava de triturar os outros.

Heitor tinha 43 anos, um corpo escultural que ele mantinha com treinos diários e uma dieta rígida, e uma reputação de filho da puta que ele cultivava com orgulho. Os cabelos grisalhos nas têmporas, o terno preto de corte impecável, o relógio que valia um apartamento — tudo nele gritava poder.

Mas o que Bento via, enquanto arrumava os papéis no canto da sala, era outra coisa. Ele via um homem com olhos cinza que brilhavam de uma forma diferente quando ele se sentia no controle. E via um homem que, no fundo, estava desesperado para perder esse controle.

— Bento — Heitor chamou, sem olhar pra ele, os olhos fixos no tablet. — O relatório do segundo trimestre. Cadê?

— Aqui, senhor — Bento respondeu, entregando o documento.

Bento tinha 25 anos, corpo magro e forte, pele retinta, cabelo raspado dos lados. Ele tinha um olhar calmo, de quem já viu coisa pior na vida, e uma língua afiada que ele mantinha presa por enquanto.

Heitor pegou o relatório, folheou os primeiros segundos, e jogou de volta na mesa.

— Isso é uma piada? Que merda é essa? Os números estão todos errados.

Bento olhou para o relatório. Ele sabia que os números não estavam errados. Ele os tinha verificado três vezes.

— Senhor, os dados foram retirados diretamente do sistema…

— Você acha que sabe mais do que eu, estagiário? — Heitor interrompeu, a voz mais alta. Os outros executivos na mesa baixaram a cabeça. — Isso é um lixo. Refaz tudo e me traz até amanhã. E da próxima vez, aprenda a fazer o seu trabalho.

A sala ficou em silêncio. Bento sentiu as risadinhas abafadas dos outros funcionários. Ele respirou fundo, e em vez de abaixar a cabeça, ergueu o queixo.

— Senhor, posso falar com o senhor em particular? Depois da reunião.

Heitor ergueu uma sobrancelha, surpreso com a ousadia.

— Depois. Agora sai daqui e volta a trabalhar.

Bento saiu. Mas ele não foi pra sua mesa. Ele foi pro banheiro, se olhou no espelho, e sorriu.

“Tá na hora de virar a mesa, moleque.”

Duas horas depois, o escritório estava vazio. Heitor ainda tava na sala dele, as luzes acesas, o uísque na mão. Ele tava olhando pela janela, os ombros tensos.

Bento entrou sem bater.

— Eu não te chamei — Heitor disse, sem virar.

— Mas eu preciso falar com o senhor. Sobre a reunião de hoje.

— Já falei o que tinha que falar. Teu relatório é uma merda e você é um estagiário medíocre. Agora sai.

Bento não saiu. Ele caminhou até a mesa de Heitor, colocou as mãos na madeira polida, e inclinou o corpo pra frente.

— O senhor pode me humilhar na frente de todo mundo, Heitor. Pode me chamar de medíocre. Pode jogar meu relatório no lixo. Mas o senhor não pode mudar uma coisa: o que eu vi no computador do senhor.

Heitor finalmente virou. Os olhos cinza tavam gelados.

— Do que você tá falando?

— Do senhor. Das pastas escondidas. Dos vídeos. Do que o senhor assiste quando acha que ninguém tá vendo.

O rosto de Heitor ficou branco. A mão dele, a que segurava o uísque, começou a tremer.

— Você tá louco.

Bento sorriu.

— Eu sou louco? Ou o senhor é louco por deixar o computador aberto quando foi tomar café? O senhor gosta de ver homem sendo dominado, né, Heitor? Gosta de ver homem forte de joelhos.

— Isso é assédio — Heitor falou, a voz falhando. — Você tá me chantageando?

— Tô. Mas não do jeito que o senhor pensa. Eu não quero dinheiro.

Heitor engoliu em seco.

— Então o que você quer?

Bento deu a volta na mesa, parou na frente do chefe, e colocou uma mão no peito dele. O terno caro não adiantava nada contra o calor daquele toque.

— Eu quero que o senhor me dê o que o senhor sempre quis dar. Eu quero que o senhor se ajoelhe.

Heitor sentiu as pernas bambearem. Era o segredo que ele escondia há mais de vinte anos. O desejo de se entregar, de ser controlado, de ser submisso. E ali, na frente dele, tava um estagiário de periferia com olhos pretos e um sorriso debochado.

— Você… você não sabe o que tá fazendo — Heitor tentou.

— Eu sei muito bem. O senhor é um homem poderoso, Heitor. Mas por dentro, o senhor é só um cachorrinho esperando alguém pra te dar uma coleira.

Bento apertou o peito de Heitor.

— Ajoelha.

Heitor demorou. O corpo tremia, o coração batia como se fosse explodir. Mas uma força maior do que a racionalidade o puxava para baixo. Ele caiu de joelhos.

— Bom menino — Bento disse, passando a mão nos cabelos grisalhos de Heitor. — Agora, vai ser assim: amanhã, você vai pra reunião e vai me tratar com respeito. E depois do expediente, você vai me esperar aqui nessa sala, de joelhos. Se você fizer isso direito, a gente vai explorar esse lado que você esconde. Você não precisa mais fingir ser o que não é.

Heitor olhou pra cima. Os olhos cinza tavam marejados.

— E se eu não fizer?

— Ah, mas você vai fazer. Porque você já tá fazendo.

Bento tirou a mão do cabelo de Heitor e foi para a porta. Antes de sair, virou.

— Ah, e Heitor? — ele chamou, a voz macia. — Seu relatório estava certo. Você errou. Mas não se preocupe. Eu vou te ensinar como ser um bom menino.

A porta se fechou, e Heitor ficou lá, de joelhos, ofegante, com o pau duro e o coração finalmente em paz pela primeira vez em anos.

O jogo tinha começado.

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