O relógio marcava 14h30 quando o Rodrigo entrou no shopping. Ele não tinha motivo pra estar ali. O almoço tinha acabado, o escritório tava a três quarteirões, e ele tinha uma reunião às 16h. Mas ele sabia exatamente por que tinha vindo.
Era a terceira vez naquela semana.
Rodrigo tinha 37 anos, corpo malhado de quem faz academia há dez anos, cabelo preto curto, barba bem feita, olhos castanhos. Casado há oito anos com a Fernanda, dois filhos, uma vida perfeita. Casa no Jardim Ângela, carro do ano, viagem pra Cancún todo ano.
Perfeita no papel.
Na prática, Rodrigo tava entediado. Sexo com a esposa era bom, mas previsível. Mesma posição, mesma frequência, mesmos gemidos educados. Ele queria mais. Queria algo que fizesse o sangue ferver.
E foi por isso que ele entrou no banheiro do shopping.
O banheiro era no subsolo, perto da praça de alimentação. Sempre tinha movimento, mas o que Rodrigo procurava não era na frente. Era no fundo. No último cubículo.
Ele entrou, fingindo que ia mijar. Lavou as mãos, olhou no espelho. Um cara mais velho, de terno, estava na pia ao lado. Trocaram olhares.
Rodrigo foi até o fundo. O cubículo do fundo estava fechado. Ele entrou no da frente, deixou a porta entreaberta, e esperou.
O coração batia acelerado. As mãos suavam. A culpa já vinha, como sempre, mas o tesão era maior.
O cubículo do fundo abriu. Um cara saiu, um moreno alto, de camisa social. Ele olhou para Rodrigo, acenou com a cabeça, e entrou no cubículo que Rodrigo tinha deixado entreaberto.
Era o sinal.
Rodrigo entrou no cubículo do fundo. O chão tava molhado, o ar cheirava a mijo e desinfetante. Mas ele não ligava. Ele fechou a porta e se virou.
O moreno já estava lá, com a calça aberta, o pau duro na mão.
— Tava te esperando — o moreno disse, com um sorriso safado. — Cê é o novato, né? O pessoal falou de você.
Rodrigo engoliu em seco.
— Eu não sou… eu só vim ver.
— Claro que veio. Todo mundo vem ver. Depois fica.
O moreno se ajoelhou e puxou a calça de Rodrigo. O pau do casado já tava duro, escapando da cueca. O moreno enfiou na boca sem cerimônia, chupando com vontade.
Rodrigo gemeu baixinho, encostando a cabeça na porta do cubículo. A sensação era boa demais. A boca do moreno era quente, molhada, e a língua fazia movimentos que a Fernanda nunca tinha feito.
— Porra — Rodrigo sussurrou.
O moreno parou.
— Quieto. Se não, alguém vai ouvir.
Rodrigo mordeu o lábio e tentou se controlar. O moreno voltou a chupar, mais rápido, mais fundo. A mão de Rodrigo apertou o cabelo do cara, guiando a cabeça.
Foi quando outro homem entrou no cubículo. Um cara mais velho, barrigudo, de camisa xadrez. Ele fechou a porta e ficou olhando.
— Pode continuar — ele disse, abrindo a própria calça. — Eu só quero ver.
Rodrigo sentiu o corpo gelar. Mas o pau do moreno na boca continuava, e o tesão era maior que o medo.
O cara barrigudo começou a se masturbar enquanto assistia. Rodrigo olhou pra ele, sentindo uma mistura de vergonha e excitação.
— Você gosta? — o barrigudo perguntou. — Gosta de ser visto?
Rodrigo não respondeu. Só fechou os olhos.
O moreno parou de chupar e se levantou.
— Agora é sua vez — ele disse, virando de costas e apoiando as mãos na parede do cubículo. — Me fode.
Rodrigo hesitou.
— Eu nunca…
— A primeira vez é sempre assim. Vai.
O barrigudo se aproximou, colocando a mão no ombro de Rodrigo.
— Vai, novato. A gente cuida de você.
Rodrigo colocou uma camisinha que o moreno entregou, passou lubrificante, e alinhou o pau na entrada. O moreno arqueou as costas.
— Entra — ele ordenou.
Rodrigo entrou. A sensação foi avassaladora. O cu do moreno era apertado, quente, e Rodrigo sentiu o pau latejar.
— Isso — o moreno gemeu. — Agora me come. Come gostoso.
Rodrigo começou a meter, devagar no começo, depois mais rápido. O barrigudo se masturbava ao lado, olhando, gemendo baixinho.
— Caralho, que delícia — o barrigudo sussurrou. — Cê é bom, novato.
Rodrigo sentiu o orgasmo se aproximar. Ele metia mais forte, as mãos apertando a cintura do moreno.
— Vou gozar — ele avisou.
— Goza dentro — o moreno respondeu. — Vai.
Rodrigo gozou, o corpo tremendo, os gemidos abafados pela mão que ele colocou na boca. O moreno também gozou, o leite escorrendo pela parede do cubículo.
O barrigudo gozou por último, olhando pra cena.
Os três ficaram parados por um momento, a respiração pesada.
Rodrigo tirou o pau, jogou a camisinha no lixo, e ajeitou a calça. As mãos tremiam.
— Foi bom, novato — o moreno disse, ajeitando a própria roupa. — A gente se vê.
Rodrigo saiu do cubículo, lavou o rosto, olhou no espelho. O homem que ele via não era o mesmo de uma hora atrás. Tinha algo diferente nos olhos. Uma culpa, sim. Mas também um tesão que ele não sentia há anos.
Ele voltou pro escritório. A reunião foi automática. Ele não ouviu nada.
Em casa, a Fernanda perguntou:
— Tudo bem, amor? Você tá estranho.
— Tô — Rodrigo respondeu. — Só cansaço.
Ela beijou ele, e Rodrigo sentiu o gosto do beijo diferente. O gosto da mentira.
Na semana seguinte, Rodrigo voltou ao banheiro do shopping. E na outra. E na outra.
Ele já conhecia os caras. O moreno, o barrigudo, e outros. Cada vez, ele se entregava mais. Cada vez, a culpa era menor, e o tesão maior.
Até que um dia, ele entrou no cubículo e viu o moreno com um cara novo.
— Esse é o novato da semana — o moreno disse, apresentando. — Ensina ele como a gente faz.
Rodrigo olhou pro novato. Um garoto de uns 22 anos, com olhos assustados.
— Relaxa — Rodrigo disse, ajeitando a calça. — A gente vai te ensinar.
E naquele momento, Rodrigo entendeu que não tinha mais volta.
Ele tinha se tornado parte do banheirão.
FIM.
