A festa tava lotada. Daquelas que o vizinho chama a polícia, que o som estoura os tímpanos, que a piscina fica cheia de copo de plástico e o chão da sala parece um tapete de bituca de cigarro.
O Matheus tava lá. Não porque queria, mas porque a melhor amiga, a Juliana, tinha implorado.
— Vem, vai ser legal! — ela disse, com aquele olhar de quem não aceita não. — Meu pai vai fazer churrasco.
— Seu pai é legal — Matheus respondeu, sem muito entusiasmo.
— Ele é, né? E você vai conhecer umas pessoas.
Matheus tinha 24 anos. Magro, cabelo preto bagunçado, olhos verdes, um piercing na orelha. Trabalhava num escritório de contabilidade, mas tava sempre com a cara de quem preferia estar em casa jogando videogame.
A festa era na casa do pai da Juliana. Um casarão antigo no bairro do Morumbi, com quintal grande, piscina, churrasqueira e uma adega cheia de vinho caro. O pai da Juliana, o Fernando, tinha 52 anos, era viúvo, e tinha a fama de ser o “pai bonitão” do grupo de amigos da filha.
Matheus já tinha visto o Fernando algumas vezes. Um homem alto, forte, com cabelos grisalhos, barba feita, olhos castanhos escuros que pareciam atravessar a alma. Na última vez, no aniversário da Juliana, o Fernando tava de bermuda e camisa aberta, e o Matheus passou a noite inteira olhando.
Mas ele não ia fazer nada. Era o pai da amiga. Tinha limite.
Só que o limite, naquela noite, tava sendo testado.
O Matheus tava na piscina, com um copo de cerveja na mão, quando o Fernando apareceu com a garrafa de uísque.
— E aí, jovem — ele disse, sentando ao lado. — Tá se divertindo?
Matheus sentiu o cheiro do perfume do Fernando. O cheiro de homem, de suor, de uísque. Ele sentiu o pau endurecer e desviou o olhar.
— Tô — ele respondeu. — Festa boa.
— Tem que ser boa — Fernando riu. — A Juliana merece.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, olhando a piscina. O Matheus bebeu mais um gole de cerveja.
— Cê tá bebendo pouco — Fernando disse. — Vem, toma um uísque comigo.
O Matheus hesitou.
— Eu não bebo muito.
— Não fala isso. Hoje é festa.
Fernando serviu um copo duplo de uísque e entregou pro Matheus. A mão dos dois se tocou, e o Matheus sentiu um arrepio.
— Saúde — Fernando disse.
— Saúde.
O primeiro copo desceu rápido. O segundo também. No terceiro, o Matheus já tava tonto, rindo de tudo, com o corpo quente e a mente mais solta.
O Fernando tava do lado, falando alguma coisa sobre a viagem que ia fazer, mas o Matheus não tava ouvindo. Ele só olhava a boca do Fernando, os lábios grossos, a barba bem feita.
— O que foi, jovem? — Fernando perguntou, percebendo o olhar. — Tá me encarando estranho.
— Nada — Matheus mentiu. — Só tô tonto.
Fernando riu.
— Cê é fraco, hein?
— Sou.
Fernando se levantou.
— Vou no banheiro. Depois a gente volta a beber.
Ele foi. E o Matheus ficou ali, olhando pra porta da casa.
A porta do banheiro abriu. O Fernando saiu, mas antes de voltar, ele olhou pra trás, direto pro Matheus. E fez um sinal com a cabeça.
O Matheus congelou. Aquele sinal era um convite.
Ele sentiu o coração disparar. O uísque na cabeça, a música tocando alto, o corpo quente. Ele levantou e foi.
O banheiro da festa era o banheiro social. Grande, com pia de mármore, espelho grande, e uma porta que trancava. O Matheus entrou e trancou a porta.
Fernando tava encostado na pia, os braços cruzados.
— Cê tá bêbado, jovem? — Fernando perguntou, a voz baixa.
— Tô. Mas não tô tanto assim.
Fernando deu um passo na direção do Matheus.
— Eu também tô. Mas sei o que tô fazendo.
— E o que você tá fazendo?
Fernando chegou mais perto, até que o corpo dos dois tava colado.
— Tô te dando o que você quer.
Ele segurou o rosto do Matheus e o beijou. O beijo foi bruto, molhado, cheio de uísque e desejo. As mãos do Fernando apertaram a bunda do Matheus com força.
— Cê quer isso? — Fernando perguntou, a voz rouca.
— Quero — Matheus respondeu. — Quero muito.
Fernando ajoelhou na frente do Matheus, sem perder tempo. Abriu o zíper da calça do rapaz, tirou o pau pra fora, e enfiou na boca.
O Matheus arqueou as costas, a mão na pia de mármore, a respiração ofegante.
— Caralho — ele gemeu.
Fernando chupava com vontade, a boca quente e molhada, a língua deslizando pela cabeça do pau. O Matheus sentiu o orgasmo se aproximar e segurou a cabeça do Fernando.
— Vou gozar — ele avisou.
— Goza.
Matheus gozou, o corpo todo tremendo, o gemido abafado pela mão que ele colocou na boca. Fernando engoliu tudo, sem hesitar.
Ele se levantou, o rosto molhado, os olhos escuros brilhando.
— Agora é minha vez — ele disse.
Fernando virou de costas, apoiando as mãos na pia. O Matheus pegou o lubrificante que tava na pia (de quem, ele não sabia) e passou nos dedos.
— Vai devagar — Fernando pediu.
O Matheus enfiou um dedo, depois dois, preparando o pai da amiga.
— Tá tudo bem? — ele perguntou.
— Tá — Fernando respondeu, a voz trêmula. — Vai.
O Matheus colocou uma camisinha, alinhou o pau, e entrou devagar. O cu do Fernando era apertado, quente, e o Matheus sentiu o pau latejar.
— Isso — Fernando gemeu. — Vai. Me come.
O Matheus começou a meter, devagar no começo, depois mais rápido. O som do pau entrando e saindo se misturava com a música da festa.
— Caralho — Fernando gemia. — Você come bem, hein?
— Você também mama bem — Matheus respondeu, a voz ofegante.
Os movimentos ficaram mais rápidos. O Matheus segurou a cintura de Fernando, metendo forte. A mão do Fernando apertava a pia, os dedos brancos de força.
— Vou gozar — Matheus avisou.
— Goza dentro — Fernando pediu. — Vai.
Matheus gozou, o corpo tremendo, os gemidos abafados pela música. Fernando gozou também, o leite escorrendo pela pia de mármore.
Os dois ficaram parados por um momento, a respiração pesada.
Matheus tirou o pau, ajeitou a calça, e olhou pro Fernando.
O pai da amiga tava de costas, o corpo ainda arfando.
— Isso não pode ter acontecido — Fernando disse.
— Mas aconteceu — Matheus respondeu.
Fernando virou, ajeitando a própria calça.
— Ninguém pode saber.
— Eu sei.
Eles se olharam por um momento. O Fernando passou a mão no rosto, enxugando o suor e a saliva.
— Você vai embora agora — ele disse. — E a gente nunca mais fala nisso.
Matheus assentiu e saiu do banheiro.
A festa continuava. As pessoas dançavam, bebiam, riam. Ninguém sabia o que tinha acontecido ali.
O Matheus foi até a piscina, pegou outro copo de cerveja, e ficou olhando as estrelas.
Ele sabia que aquela noite ia assombrar ele pelo resto da vida.
Mas o tesão, na hora, tinha sido bom demais.
FIM.
