O Henrique tinha 38 anos, corpo malhado de quem ia à academia cinco vezes por semana, cabelo preto com fios grisalhos nas têmporas, olhos castanhos que escondiam um segredo. Casado com a Juliana há doze anos, dois filhos, casa no Morumbi, carro importado, cargo de diretor numa multinacional. A vida perfeita que todo mundo invejava.
Só que o Henrique tinha um fogo dentro dele que a Juliana nunca conseguiu apagar.
Ele queria ser dominado. Queria ser humilhado. Queria estar de joelhos para um homem que soubesse o que fazia. Mas isso era uma coisa que ele nunca teve coragem de admitir — nem para a esposa, nem para os amigos, nem para ele mesmo.
Até que um dia, navegando na internet escondido no banheiro do escritório, ele encontrou um site. Não era um site de pornografia comum. Era um fórum fechado, só para convidados, onde homens discutiam sobre clubes de submissão em São Paulo. Lugares discretos, seguros, onde ninguém precisava saber quem você era.
O Henrique passou três semanas lendo. Três semanas imaginando. Três semanas se masturbando no chuveiro com a imagem de homens de couro mandando nele.
Até que tomou coragem.
O clube ficava num galpão reformado na Barra Funda. Sem placa, sem nome, sem endereço no Google. Só um número de WhatsApp que o Henrique conseguiu no fórum. Ele mandou mensagem. Foi respondido por um homem chamado Mestre Dário, que fez perguntas diretas: “Você é casado? Sua esposa sabe? Você já fez isso antes? O que você quer?”
O Henrique respondeu tudo. Pela primeira vez na vida, ele foi honesto.
A resposta veio em uma frase: “Sexta, 22h. Venha de roupa simples. Não traga celular. Não traga aliança.”
Na sexta-feira, o Henrique disse à Juliana que tinha um jantar de negócios. Beijou os filhos, pegou o carro e dirigiu até a Barra Funda. O coração batia forte. As mãos suavam no volante.
O galpão era discreto. A porta de ferro estava entreaberta. Ele entrou.
O lugar era escuro, iluminado por luzes vermelhas e azuis. Havia uma recepção com um homem de terno que pediu seu nome e o levou para uma sala de espera. A sala tinha um sofá de couro, uma mesa com uísque, e uma parede com máscaras de couro.
— Tire a roupa. Deixe na caixa. Vista o que está no gancho.
O Henrique obedeceu. No gancho, havia uma cueca preta de couro, um par de botas, e uma coleira de couro simples, sem pingente.
Ele vestiu tudo. Olhou-se no espelho. Não reconheceu o homem que viu.
A porta abriu. Mestre Dário entrou.
Ele era mais velho do que o Henrique imaginava. Uns 55 anos, corpo grande, barriga de cerveja, braços grossos e peludos, cabeça raspada, barba grisalha bem feita. Usava uma calça de couro preta, botas de motoqueiro, e nada mais. O peito peludo estava à mostra.
— Henrique — ele disse, a voz grave. — Você veio.
— Vim.
— Ajoelha.
O Henrique ajoelhou. Os joelhos tocaram o chão frio.
Mestre Dário caminhou ao redor dele, como um predador avaliando a presa.
— Você sabe as regras?
— Sei.
— Recite.
— Obediência total. Silêncio. Respeito. Palavra de segurança: “vermelho”.
— Bom menino.
Mestre Dário parou na frente dele e segurou seu queixo.
— Você é casado, Henrique. Tem filhos. Tem uma vida perfeita. E está aqui, de joelhos, vestindo couro, pronto para ser usado. Por quê?
— Porque eu preciso.
— Precisa de quê?
— Precisa ser dominado.
— Precisa ser o quê?
— Precisa ser puta.
Mestre Dário sorriu.
— Abre a boca.
O Henrique abriu. Mestre Dário cuspiu nela.
— Engole.
Ele engoliu.
— Você é um objeto agora. Meu objeto. E vai fazer tudo o que eu mandar.
O Mestre levou o Henrique para uma sala maior. A sala tinha uma cruz de madeira no centro, cordas penduradas no teto, uma mesa cheia de instrumentos, e uma jaula de metal no canto. Havia outros homens ali — alguns vestidos de couro, outros nus, alguns de joelhos, outros amarrados. Todos olharam quando o Henrique entrou.
— Este é o novato — Mestre Dário anunciou. — Vai ser usado por quem eu permitir.
O Henrique sentiu o corpo tremer. Mas não era medo. Era tesão.
Mestre Dário o amarrou na cruz de madeira, os braços esticados, as pernas abertas. A coleira foi presa a um gancho, mantendo sua cabeça erguida.
— Vou te deixar aqui por uma hora. Você vai ficar imóvel. Vai sentir. Vai pensar. E quando eu voltar, você vai implorar para ser usado.
O Mestre saiu. O Henrique ficou sozinho, amarrado, o corpo exposto. Os outros homens passavam por ele, tocavam seu corpo, apertavam seus mamilos, passavam a mão na sua bunda. Mas ninguém o fodava. Ninguém o usava.
A humilhação era pior que a dor.
Uma hora depois, Mestre Dário voltou.
— Você quer ser usado?
— Quero.
— Quer o quê?
— Quero ser usado. Quero ser fodido. Quero ser puta.
— Então vai ter.
O Mestre o desamarrou e o levou para uma sala privada. Havia uma cama de metal no centro, com argolas nas laterais.
— Deita.
O Henrique deitou. Mestre Dário o amarrou pelos pulsos e tornozelos, deixando-o imóvel.
— Vou te preparar.
Ele passou lubrificante nos dedos e enfiou um no cu do Henrique. O rapaz gemeu.
— Isso — Mestre Dário disse. — Relaxa.
O segundo dedo. O terceiro. O Henrique já estava gemendo alto.
— Tá pronto?
— Tô.
Mestre Dário enfiou o pau de uma vez. O Henrique gritou.
— Cala a boca.
O Mestre metia forte, cada estocada mais funda. A cama de metal rangia. As cordas apertavam os pulsos do Henrique.
— Você é minha puta.
— Sou.
— Você é um buraco.
— Sou.
— Você não é nada.
— Não sou nada.
Mestre Dário gozou dentro dele, sem camisinha.
— Agora você vai ficar aqui. E vai ser usado por quem eu mandar.
Ele saiu. E um a um, os outros homens do clube entraram. E o Henrique foi fodido por todos. Sem nome. Sem rosto. Sem direito a escolher.
Quando amanheceu, ele estava deitado no chão, o corpo dolorido, o cu escorrendo porra, a boca babada. Mas ele sorria.
Mestre Dário se ajoelhou ao lado dele.
— Você foi bem, Henrique. Volte na próxima sexta.
— Eu volto.
— E traga a aliança. Da próxima vez, você vai me dar ela. Como símbolo de que você não pertence mais a ninguém. Só a mim.
O Henrique voltou para casa às 7h. A Juliana estava acordando.
— Como foi o jantar?
— Foi longo.
Ele tomou banho, vestiu o terno, foi trabalhar. Durante todo o dia, sentiu o cu arder. E sorriu.
Na sexta seguinte, ele voltou ao clube. E na outra. E na outra.
Até que um dia, ele tirou a aliança do dedo e a entregou a Mestre Dário.
— Agora você é minha propriedade — o Mestre disse.
— Sou.
E o Henrique nunca mais foi o mesmo.
