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Conto Erótico Gay – O Sítio do Fer – Descoberta no Interior

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Meu nome é Dênis, tenho 41 anos, 1,70 m, 74 kg, moreno, cabelo curto, entrando naquela fase em que a gente começa a gostar mais de sossego do que de bagunça. Sou divorciado há seis anos, tenho um filho de 15 que mora com a mãe em outra cidade, e vivo sozinho num apartamento pequeno no centro. Trabalho como corretor de imóveis e, nas horas vagas, gosto de pescar, cozinhar e receber amigos em casa.

Sempre me considerei hétero. Casei, tive filho, nunca tinha olhado para homem nenhum com malícia. Mas a vida tem umas curvas que a gente não espera.

Conheci o Fer numa sexta-feira de dezembro, numa peixaria aqui perto de casa. Ele tinha uns 35 anos, 1,85 m, corpo de quem trabalha no sol — ombros largos, mãos calejadas, pele queimada, um bigode grosso que dava um ar de quem não tem paciência pra frescura. Pediu uma tilápia inteira, ficou esperando do meu lado, e a gente começou a conversar sobre pesca. Acabamos tomando uma cerveja ali mesmo, no balcão, e ele me convidou pra conhecer o sítio dele no fim de semana.

— Leva a vara, tem um açude bom demais. E eu cozinho o peixe que a gente pegar.

Aceitei. Não sei por quê, mas aceitei.

O sítio ficava a uns 40 km da cidade, estrada de terra, muito verde, um lugar silencioso que parecia ter parado no tempo. Fer morava lá sozinho desde que o pai morreu. Tinha uns cachorros, umas galinhas, uma horta. E um açude enorme, cercado de bambu.

No sábado à tarde, depois de pescarmos e comermos o peixe que ele assou na brasa, a gente ficou na varanda bebendo cachaça e olhando o céu. A conversa foi ficando pessoal. Ele me contou que tinha se separado há dois anos, que a ex-mulher foi embora com outro, e que desde então ele tinha meio que desistido de mulher.

— Não é que eu não goste — ele disse. — É que eu cansei de drama.

Eu ri. Disse que entendia bem.

Foi quando ele falou, olhando pro nada:

— Sabe o que é engraçado? Quando eu era mais novo, eu tinha curiosidade de saber como era com homem. Nunca fiz nada. Mas sempre tive curiosidade.

Eu fiquei quieto. O coração deu uma acelerada que eu não entendi na hora. Não era medo, não era nojo. Era outra coisa.

— E por que nunca fez? — perguntei.

Ele deu de ombros.

— Faltou oportunidade. E coragem, também.

A gente ficou em silêncio um tempo. Os grilos começaram a cantar. Ele olhou pra mim e disse, meio rindo:

— Tô falando demais. Culpa da cachaça.

— Tá não. Tô gostando da conversa.

E eu estava mesmo.

Naquela noite dormi no quarto de hóspedes. Fiquei deitado no escuro, pensando naquela conversa. Pensei no corpo do Fer, nas mãos grossas dele segurando a vara de pescar, no jeito calmo que ele tinha. Pensei no que ele disse. E percebi, com um susto, que eu estava com tesão. Tesão por um homem. Pela primeira vez na vida.

No domingo de manhã, a gente tomou café junto. Ele estava diferente. Mais quieto. Os olhos dele me procuravam e fugiam. Eu sabia que ele também tinha pensado naquilo.

Foi quando ele falou, sem me olhar:

— Você ficou incomodado com o que eu falei ontem?

— Não. Fiquei curioso.

Ele levantou os olhos devagar.

— Curioso como?

— Curioso do mesmo jeito que você.

Ele não disse nada. Só ficou me olhando. Depois se levantou, pegou a garrafa de café, encheu as duas canecas, e sentou de novo. Mais perto.

— A gente pode conversar mais sobre isso — ele disse. — Se você quiser.

— Quero.

A gente passou o resto da manhã conversando. Não fizemos nada. Só conversamos. Sobre medo, sobre vontade, sobre o que a gente pensava um do outro. Ele disse que tinha reparado em mim desde a peixaria. Que tinha gostado do meu jeito. Que tinha me convidado pro sítio justamente porque queria ficar perto de mim.

Eu disse que não sabia o que estava sentindo, mas que não queria ir embora.

Na hora do almoço, ele fez um arroz com linguiça e a gente comeu na varanda. Depois ele foi lavar a louça e eu fiquei olhando as costas dele. As costas largas, a camisa suada colada no corpo. Levantei, fui até a pia, e encostei a mão no ombro dele. Ele parou. Ficou parado, com as mãos na água.

— Dênis — ele disse, baixinho.

— Fala.

— Se você encostar de novo, eu não vou conseguir segurar.

— Então não segura.

Ele virou o rosto devagar. A gente se olhou por um segundo que pareceu uma eternidade. Depois ele tirou as mãos da água, me pegou pela cintura e me beijou. Foi um beijo sem pressa, de quem estava com medo de estragar. Mas quando a língua dele encostou na minha, o medo foi embora.

A gente foi pro quarto dele. A cama era grande, de madeira, com lençol branco. Ele tirou a camisa e eu vi o corpo dele pela primeira vez. Não era um corpo de academia, era um corpo de trabalho. Peito largo, barriga dura, uma cicatriz no ombro, pelos no peito. Ele me olhou, meio sem jeito.

— Tô nervoso — ele disse.

— Eu também.

A gente tirou a roupa devagar. Quando ficamos pelados, ele me abraçou. Senti o corpo dele inteiro contra o meu, o calor, o cheiro de suor e sabão. Senti o pau dele duro contra a minha perna. Era grosso, pesado. Fiquei com medo e com vontade ao mesmo tempo.

Ele me deitou na cama e ficou por cima de mim, me beijando o pescoço, o peito, descendo devagar. Quando chegou na minha cintura, parou.

— Posso?

— Pode.

Ele me chupou devagar, com cuidado, como se estivesse aprendendo. E eu fechei os olhos e deixei. Depois fui eu que desci. O pau dele era grande, grosso, com uma cabeça rosada que brilhava. Cheirava a macho, a suor, a sexo. Coloquei na boca e ele gemeu alto, segurou meu cabelo, jogou a cabeça pra trás.

— Ai, Dênis… ai, que gostoso…

A gente ficou assim um tempão, se chupando, se tocando, se descobrindo. Não teve pressa. Não teve roteiro. Foi tudo meio desajeitado, meio torto, e por isso mesmo foi bom.

Depois ele me perguntou se eu queria ir mais longe. Eu disse que não sabia. Ele disse que também não sabia. A gente riu. E ficou abraçado.

Naquela noite, dormimos juntos. E na manhã seguinte, acordei com ele me abraçando por trás, o pau duro encostado na minha bunda. Ficamos assim um tempo, sem falar nada. Depois ele sussurrou:

— Quer tentar?

— Quero.

Ele pegou um vidro de óleo de coco na cozinha. Lubrificou os dedos e foi me abrindo devagar, com uma paciência que eu nunca tinha visto. Quando enfim encostou a cabeça, eu senti aquele arrepio de medo e desejo. Doeu. Ele parou. Esperou. Eu respirei fundo e pedi pra continuar.

Ele entrou devagar, centímetro por centímetro, me segurando pela cintura, me falando baixinho que eu estava indo bem. Quando enfim entrou todo, a gente ficou parado, um dentro do outro, sem acreditar no que estava acontecendo.

— Tá tudo bem? — ele perguntou.

— Tá.

— Quer que eu pare?

— Não. Quero que você vá.

E ele foi. Devagar no começo, depois mais firme. Eu gemia sem me controlar. Ele metia com força, me segurando pelo quadril, falando coisas que eu nunca imaginei ouvir de um homem:

— Isso, gostoso… teu cuzinho é uma delícia… vou gozar dentro de você…

E eu queria. Queria que ele gozasse. Queria sentir aquele homem todo dentro de mim.

Quando ele gozou, foi com um gemido longo, profundo, o corpo inteiro tremendo. Ficou parado por cima de mim, suando, respirando forte. Depois caiu do meu lado, me puxou pra perto e ficou me olhando.

— Você é a primeira pessoa que eu beijei depois da minha ex — ele disse.

— E como foi?

— Foi como começar de novo.

A gente ficou junto o resto do fim de semana. No domingo à tarde, quando eu fui embora, ele me abraçou na porta do carro e disse:

— Volta.

— Volto.

E voltei. Muitas vezes. A gente nunca namorou, nunca assumiu nada pra ninguém. Mas toda sexta-feira eu pegava a estrada, e ele me esperava na varanda com uma cerveja gelada e aquele sorriso de quem não tem pressa. E a gente pescava, cozinhava, conversava, e à noite dormia junto. E eu, que passei 41 anos achando que sabia quem era, descobri no meio do mato, num sítio esquecido, que a vida ainda tinha coisas pra me ensinar.

FIM

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