O dia inteiro tinha sido perfeito. Lucas chegou em casa e sentiu o cheiro antes mesmo de abrir a porta. Molho de carne, alho, vinho tinto — o tipo de cheiro que não vem de delivery, que vem de quem passou horas na cozinha. Ele abriu a porta e lá estava Rafael, todo arrumado.
— Feliz aniversário, amor — Rafael disse, com um sorriso tímido e os olhos azuis brilhando.
Lucas largou a mochila no chão e ficou parado, olhando. Rafael tava com uma camisa social azul clara, mangas dobradas até o cotovelo, mostrando os antebraços magros e elegantes. A calça de linho bege combinava com os óculos de grau. O cabelo loiro descolorido tava mais bagunçado que o normal, como se ele tivesse passado a mão várias vezes.
— Cê fez isso tudo? — Lucas perguntou, a voz meio rouca de emoção.
— Fiz. Senta aí que a janta tá quase pronta.
O apartamento em Pinheiros tava irreconhecível. Velas em todo lugar, luzes baixas, uma música suave de jazz tocando no fundo. A mesa tava posta com toalha branca, pratos de cerâmica, talheres bem arrumados. Uma garrafa de vinho tinto já aberta.
Lucas sentou e Rafael serviu o jantar: filé mignon ao molho madeira, purê de batatas com noz-moscada, salada de rúcula com tomate cereja. A sobremesa era um petit gâteau com sorvete de creme.
— Rafa, você é um gênio — Lucas disse, mordendo o filé. — Tá incrível.
— É o mínimo, né? Três anos de namoro e 31 anos de vida. Tinha que ser especial.
O jantar foi cheio de risadas, mãos se tocando sobre a mesa, olhares demorados. Rafael contou histórias do trabalho, Lucas reclamou do cliente chato. A garrafa de vinho acabou, e uma segunda apareceu.
— Tô feliz — Lucas disse, apoiando o queixo na mão. — Feliz demais.
Rafael sorriu e pegou a mão dele.
— A noite ainda não acabou.
Depois da sobremesa, Rafael levantou e estendeu a mão pra Lucas.
— Vem. Tenho mais uma surpresa.
Lucas riu, um pouco tonto do vinho.
— Mais? Você já fez tudo, amor.
— Vem.
Ele seguiu Rafael pelo corredor. O quarto tava escuro, e Lucas sentiu um frio na barriga — o frio de quem sabe que vai ser fodido daquele jeito gostoso. Ele já imaginava velas no quarto, pétalas de rosa na cama, um sexo lento e romântico.
Mas quando Rafael abriu a porta e acendeu a luz, Lucas congelou.
Na cama, dois garotos estavam sentados, ambos de cueca, ambos com olhares safados e sorrisos nervosos.
Um era moreno, magro, com cabelo preto bagunçado e olhos castanhos. Uma tatuagem de cobra enrolada no braço. O outro era loiro, corpo mais definido, olhos verdes, um brinco pequeno na orelha.
Lucas ficou parado, a boca aberta. Ele olhou pros garotos, depois pro namorado.
— Rafa… — ele começou, a voz falhando. — O que… o que é isso?
Rafael deu um passo pra trás e cruzou os braços, com aquele sorriso de arquiteto que planejou cada detalhe.
— Feliz aniversário, amor. Escolhi dois presentes pra você. Um pra você se divertir comigo… e outro pra você se divertir sozinho. Ou os dois juntos. A noite é sua.
Lucas piscou várias vezes, tentando processar.
— Você… você tá falando sério?
— Tô. Se você não quiser, a gente manda eles embora. Mas eu achei que você ia gostar.
Lucas olhou pros garotos de novo. O moreno mordeu o lábio. O loiro deu uma piscadela.
O pau do Lucas já tava duro. Não tinha como esconder.
— Tá bem — ele disse, a voz rouca. — Mas você vai ficar aqui. Comigo. Eu não quero fazer isso sem você.
Rafael sorriu e se aproximou.
— Eu não ia sair nem a pau.
Rafael beijou Lucas. O beijo foi lento no começo, mas rapidamente ficou mais intenso. As mãos do arquiteto desabotoaram a camisa do publicitário, revelando o peito definido, a tatuagem da âncora.
— Vocês podem se aproximar — Rafael disse, sem tirar os olhos de Lucas. — Podem tocar.
O moreno foi o primeiro. Ele se aproximou por trás de Lucas e colocou as mãos nos ombros do aniversariante, massageando devagar. O loiro sentou na cama, observando, as mãos no próprio corpo.
Lucas sentiu os dedos do moreno descerem pelo peito, as unhas arranhando levemente a pele. Ele gemeu contra a boca de Rafael.
— Você gostou do presente? — Rafael perguntou, a voz baixa.
— Gostei — Lucas respondeu. — Mas ainda tô em choque.
O moreno desceu as mãos até a cintura de Lucas e começou a desabotoar a calça. O loiro se levantou e foi até Rafael, ajoelhando-se na frente dele.
— Posso? — o loiro perguntou, olhando pra Rafael.
Rafael olhou pra Lucas. Lucas assentiu.
— Pode — Rafael disse.
O loiro desabotoou a calça de Rafael e tirou o pau pra fora. Não era tão grande quanto o de Lucas, mas era bonito, com a cabeça rosa. O loiro começou a chupar devagar, os olhos fixos nos de Rafael.
Lucas observava, o corpo do moreno colado nas suas costas, a mão do garoto envolvendo o pau dele.
— Cê gosta de ver? — o moreno perguntou, a boca perto da orelha de Lucas. — Gosta de ver seu namorado sendo mamado?
— Gosto — Lucas gemeu.
O moreno virou Lucas de frente pra ele e o beijou. O beijo era diferente do de Rafael — mais agressivo, mais molhado. As mãos do garoto apertavam a bunda de Lucas.
Rafael, enquanto isso, segurava a cabeça do loiro e guiava os movimentos. A respiração do arquiteto tava ficando pesada.
— Para — Rafael disse, puxando o loiro pelo cabelo. — Ainda não.
Os quatro ficaram parados por um momento, se olhando. A tensão sexual tava tão densa que dava pra cortar com faca.
— Como você quer fazer? — Rafael perguntou, olhando pra Lucas.
Lucas pensou por um segundo. Depois, olhou pro moreno.
— Você gosta de comer ou de ser comido?
— Os dois — o moreno respondeu, com um sorriso.
— Então vai ser assim: você vai foder meu namorado enquanto eu fodo você.
Rafael levantou uma sobrancelha, surpreso.
— Você quer me ver sendo fodido por outro?
— Quero — Lucas disse, a voz firme. — E quero ver você gozar enquanto eu te olho.
O moreno se aproximou de Rafael e o beijou. Rafael correspondeu, as mãos no corpo do garoto. O loiro ficou de lado, observando, a mão no próprio pau.
— Você fica aqui comigo — Lucas disse pro loiro, puxando ele pela mão. — Vai ser meu testemunha.
Os dois se sentaram na poltrona do quarto, Lucas atrás, o loiro sentado entre as pernas dele.
O moreno deitou Rafael na cama, de bruços. Ele pegou o lubrificante no criado-mudo e passou nos dedos, preparando o arquiteto. Rafael gemia baixinho, o rosto enterrado no travesseiro.
— Tudo bem? — o moreno perguntou.
— Tudo — Rafael respondeu. — Faz.
O moreno colocou uma camisinha, passou mais lubrificante, e entrou devagar. Rafael arqueou as costas e soltou um gemido abafado.
Lucas apertou as coxas do loiro, os olhos fixos na cena. Ele via o corpo do namorado se movendo sob o moreno, via a mão do garoto segurando a cintura de Rafael.
— Tá gostoso? — Lucas perguntou, a voz rouca.
— Tá — Rafael respondeu, a voz toda quebrada. — Tá muito bom.
O moreno começou a meter mais rápido. O som úmido do pau entrando e saindo se misturava com os gemidos de Rafael e a respiração pesada do moreno.
Lucas sentiu o pau doer de tanto tesão. Ele começou a se masturbar, e o loiro se virou pra chupar ele.
— Isso — Lucas gemeu, a mão no cabelo do loiro. — Chupa, chupa gostoso.
O loiro mamava com vontade, a boca quente e molhada. Lucas não tirava os olhos da cama, onde o moreno metia forte em Rafael. O namorado dele tava todo suado, as mãos arranhando o lençol.
— Rafa — Lucas chamou. — Olha pra mim.
Rafael virou o rosto. Os olhos azuis tavam turvos de tesão, a boca aberta.
— Vai gozar? — Lucas perguntou.
— Vou — Rafael respondeu. — Quase.
— Goza então. Goza pra mim.
O moreno deu mais algumas estocadas e Rafael gozou, o corpo todo se contraindo, um gemido longo se perdendo no travesseiro. O moreno continuou metendo por mais alguns segundos e gozou também, dentro da camisinha.
Lucas se levantou da poltrona, o loiro ainda ajoelhado no chão. Ele foi até a cama, pegou Rafael no colo, e sentou na borda.
— Minha vez — ele disse.
Rafael montou em cima de Lucas, o pau do aniversariante entrando no cu do arquiteto com uma facilidade que só vinha de três anos de prática. Rafael gemeu e começou a se mover, os braços em volta do pescoço de Lucas.
— Gostou do presente? — Rafael perguntou, a voz cansada.
— Gostei — Lucas respondeu, começando a meter. — Mas o melhor presente é você.
O loiro e o moreno deitaram na cama ao lado, assistindo. Eles se abraçaram e começaram a se beijar, os corpos se tocando.
Lucas focou no Rafael. Naquele momento, não existia mais ninguém no quarto. Só os dois, o suor escorrendo, os olhos fixos.
— Eu te amo — Lucas disse, a voz falhando.
— Eu também te amo — Rafael respondeu. — E ainda tem mais 31 anos pela frente.
Lucas riu e apertou o namorado contra o peito. Os movimentos ficaram mais rápidos, mais desesperados. Rafael apertou o pau de Lucas com a mão e os dois gozaram juntos, um gemido alto que se perdeu no quarto.
O silêncio voltou. Apenas a respiração pesada dos quatro, o som da chuva lá fora, e o zumbido da geladeira.
Lucas deitou Rafael na cama, deitou ao lado dele, e puxou o lençol pra cobrir os dois. O moreno e o loiro, ainda abraçados, olhavam pra eles com sorrisos cansados.
— Vocês podem dormir aqui — Lucas disse. — Mas sem putaria. Já tô exausto.
Os quatro riram. A noite tinha sido longa, e ainda tinha café da manhã no dia seguinte.
Quando Lucas acordou no outro dia, Rafael tava dormindo com a cabeça no peito dele. O moreno e o loiro tinham ido embora, mas deixaram um bilhete em cima da mesa:
“Obrigado pela noite. Feliz aniversário. Vocês dois são lindos.”
Lucas leu, riu, e beijou a testa do namorado.
— Você é um gênio, Rafael — ele sussurrou.
Rafael abriu um olho e sorriu.
— Sei disso.
Os dois se abraçaram e ficaram ali, na cama, ouvindo a chuva e o barulho da cidade acordando lá fora.
Mais três anos, mais 31 primaveras. E ainda tinha tanta coisa pra descobrir.
FIM.
