O sol tava rachando no alto da zona sul de São Paulo. O calor era daqueles que fazem o asfalto derreter e o suor escorrer pelos corpos como se fosse água de cachoeira. A obra da casa de luxo tava no auge, com os operários trabalhando igual formiga, carregando tijolo, mexendo cimento, levantando parede.
O Ruan chegou de manhã, como sempre fazia. Ele tinha 20 anos, corpo magro e elegante, cabelo castanho claro alisado, óculos de grau numa armação fina que combinava com o rosto de menino. Ele era filho do patrão, estudava arquitetura na faculdade, e adorava ficar na obra, observando o trabalho. Era a desculpa que ele usava para estar perto do que ele realmente queria ver.
O que ele queria ver tinha nome: Vitinho.
Vitinho tinha 28 anos, corpo forte de pedreiro que pega peso o dia inteiro. A pele era queimada de sol, da cor de mel queimado. O cabelo preto tava sempre coberto de pó de cimento, os olhos castanhos tinham um brilho de quem já viu de tudo, e o sorriso safado aparecia sempre que ele olhava para o Ruan. E ele olhava muito.
— E aí, doutor? — Vitinho chamou, quando viu o Ruan chegar. — Veio aprender mais um pouquinho?
Ruan sentiu o rosto esquentar. Ele sempre gaguejava quando o Vitinho falava com ele.
— Vim, tio. Tô querendo ver como vai ficar o acabamento do quarto.
Vitinho deu um sorriso. Aquele sorriso que fazia o Ruan sentir o pau endurecer.
— Vem comigo, então. Vou te mostrar o que a gente já fez.
Os dois subiram as escadas de obra, que rangeu sob o peso dos dois. O andar de cima tava vazio, com as paredes de tijolo aparente e o piso de cimento áspero. A luz do sol entrava pelas janelas sem vidro, iluminando a poeira que flutuava no ar.
Vitinho parou no meio da sala, virou-se para o Ruan.
— Cê tá me olhando muito, doutor — ele disse, a voz mais baixa.
Ruan sentiu o coração disparar.
— Tô não.
— Tá sim. Eu vejo. Todo dia você vem aqui e fica me olhando. Acha que eu não percebo?
Ruan engoliu em seco. As mãos suavam.
— Mas você é bonito, tio.
— Ah, sou? — Vitinho deu um passo à frente. — E você quer o quê, doutor?
Ruan sentiu as pernas tremerem.
— Quero você.
Vitinho riu. Uma risada baixa e rouca.
— Então chega aqui.
Ruan foi. Os pés pareciam andar sozinhos.
Vitinho segurou o rosto do Ruan e o beijou. O beijo foi bruto, molhado, cheio de tesão acumulado. A língua do pedreiro invadiu a boca do rapaz, e Ruan sentiu o gosto de café e suor.
— Isso — Vitinho murmurou. — Relaxa, doutor. Eu sei o que você quer.
A mão do Vitinho deslizou pelo corpo do Ruan, apertando a bunda magra.
— Tira a camisa — ele ordenou.
Ruan obedeceu. Ficou com o peito nu, o corpo magro e branco brilhando sob o sol.
— Bonito — Vitinho disse. — Agora tira a calça.
Ruan tirou a calça jeans e a cueca. Ficou nu, o pau duro.
— Olha você — Vitinho disse, passando a mão no peito do Ruan. — Todo pelado, duro, querendo ser comido.
— Quero — Ruan respondeu, a voz trêmula.
— Ajoelha.
Ruan ajoelhou no chão de cimento.
Vitinho abriu a calça e tirou o pau pra fora. Era grande, grosso, veiudo, com a cabeça roxa e brilhando de pré-gozo. Pelos escuros na base.
— Chupa.
Ruan enfiou o pau do Vitinho na boca. Sentiu a cabeça bater no fundo da garganta, o gosto salgado do suor e do pré-gozo.
— Isso — Vitinho gemeu, a mão no cabelo do Ruan. — Chupa gostoso, doutor. Chupa que nem puta.
Ruan chupava com vontade, a língua deslizando pela cabeça, a mão apertando as bolas do pedreiro.
— Você mama bem, hein? — Vitinho disse, a respiração pesada. — Já fez isso antes, né, seu viadinho?
Ruan não respondeu. Só chupou mais rápido.
— Olha pra mim — Vitinho ordenou. — Quero ver seus olhos enquanto você engole meu pau.
Ruan olhou pra cima. Os olhos castanhos se fixaram nos de Vitinho.
— Isso — Vitinho gemeu. — Você é um puta, Ruan. Uma puta gostosa.
Vitinho começou a meter na boca do Ruan. Movimentos curtos, fundos. A cabeça do pau batia na garganta do rapaz, e Ruan sentia a arder.
— Toma tudo — Vitinho dizia. — Toma.
Ruan sentiu o pau de Vitinho pulsar na boca.
— Vou gozar — Vitinho avisou. — Vai engolir tudo, seu viado.
Vitinho gozou. O leite quente encheu a boca de Ruan, e ele engoliu tudo, sentindo o gosto salgado.
— Caralho — Vitinho gemeu. — Que delícia.
Ruan se levantou, a boca molhada. O pau ainda tava duro.
— Minha vez — ele disse, a voz rouca.
Vitinho riu.
— Você quer me comer, doutor? Quer dar o cu pra mim?
— Quero.
Vitinho virou de costas e apoiou as mãos na parede de tijolos.
— Então vem. Me come, seu puto.
Ruan passou lubrificante nos dedos e enfiou no cu de Vitinho. O homem gemeu.
— Isso — Vitinho disse. — Prepara.
Ruan enfiou o segundo dedo, depois o terceiro. Vitinho se contorceu, a mão apertando a parede.
— Agora — Vitinho ordenou. — Me fode.
Ruan enfiou o pau no cu de Vitinho. O homem era apertado, quente.
— Porra — Ruan gemeu, começando a meter. — Você é gostoso.
Os movimentos eram rápidos, fortes. Ruan metia com vontade, a mão na cintura de Vitinho.
— Isso, doutor — Vitinho gemia. — Me come gostoso.
— Você é minha puta agora — Ruan disse. — Minha puta.
— Sou — Vitinho respondeu. — Sou sua puta.
Ruan metia forte, a parede rangendo. O som dos corpos se chocando enchia a sala vazia.
— Vai gozar? — Vitinho perguntou.
— Vou.
— Goza dentro.
Ruan gozou, o corpo todo tremendo. Vitinho gozou também.
Os dois ficaram parados, a respiração pesada.
— Isso foi bom — Ruan disse.
— Bom demais — Vitinho respondeu.
Os dois se arrumaram. Ajeitaram as roupas.
— Vai primeiro — Vitinho disse. — Depois eu desço.
Ruan desceu as escadas, o coração ainda batendo forte. Os operários estavam voltando do almoço.
Ninguém sabia o que tinha acontecido em cima.
Mas o Ruan sabia que voltaria.
Sempre voltaria.
FIM.
