O ateliê de Rei era um caos organizado. Pincéis espalhados, telas empilhadas, cheiro de terebintina e café queimado. Ele estava sentado diante de uma tela em branco, o olhar vazio, quando a carta chegou.
Era do magnata Hayashi: uma encomenda de um retrato de seu filho, Noa, para comemorar o casamento do rapaz. O pagamento era generoso — o suficiente para salvar Rei da falência.
— Um retrato de casamento? — Rei resmungou. — Que tédio.
Mas ele aceitou.
No dia seguinte, Noa apareceu no ateliê. O jovem entrou como se fosse dono do lugar, jogou o casaco numa cadeira e olhou para o pintor com uma mistura de desdém e curiosidade.
— Você é o pintor falido? — Noa perguntou, com um sorriso irônico.
— Sou o pintor que vai salvar sua cara feia para a posteridade — Rei respondeu, com um sorriso torto.
Noa riu. Não era uma risada de deboche, mas de surpresa.
— Gosto de você, velho.
— Não me chame de velho. Tenho idade para ser seu pai, mas não sua mãe.

Rei começou a esboçar Noa. O rapaz era bonito de um jeito quase agressivo. Cada curva do corpo, cada sombra no rosto, parecia feita para desafiar o olhar do pintor.
— Fica quieto — Rei dizia. — E para de me olhar assim.
— Como assim?
— Como se quisesse me comer.
Noa riu de novo.
— E se eu quiser?
Rei ignorou a provocação. Mas o pincel tremeu.
Os dias se passaram. Noa aparecia todas as tardes. Posava. Conversava. Cada vez mais perto.
Até que um dia, Noa chegou mais cedo e viu Rei em uma pose íntima, desenhando um esboço de um corpo nu — não o dele, mas um esboço antigo, de um modelo anterior.
— Quem é ele? — Noa perguntou, com um ciúme mal disfarçado.
— Ninguém. Um fantasma.
— Você desenha os fantasmas, então?
— Desenho o que me assombra.
Naquela noite, Noa ficou até tarde. Quando a empregada foi embora, ele se aproximou de Rei.
— Desenha o que te assombra agora.

Rei hesitou.
— Isso não é profissional.
— Eu não quero ser profissional — Noa disse, beijando o pescoço do pintor.
O toque dos lábios de Noa na pele de Rei o fez estremecer. Ele tentou se afastar, mas o corpo traiu.
— Você é um modelo arrogante.
— E você é um pintor carente.
Noa virou Rei e o beijou. O beijo foi bruto, molhado, cheio de desejo contido.
O pincel caiu no chão.
Noa ajoelhou e abriu a calça de Rei.
— Deixa eu te mostrar o que você realmente quer pintar.

Noa chupou Rei com uma maestria que fez o pintor esquecer o nome da própria mãe. A boca do modelo era quente e molhada.
— Isso — Rei gemeu, a mão no cabelo de Noa.
— Você é bom nisso.
— É meu talento secreto.
Noa parou e olhou para cima.
— Minha vez.

Noa estava contra a parede do ateliê, a respiração ofegante, o corpo escultural brilhando de suor. Rei o beijava com fome, a língua invadindo a boca do modelo, as mãos manchadas de tinta apertando sua cintura firme.
— Vira — Rei ordenou, a voz rouca, cheia de desejo.
Noa obedeceu. Virou-se, apoiou as mãos na parede fria, a bunda empinada, as costas arqueadas.
— Você quer isso? — Rei perguntou, a mão deslizando pelas nádegas do rapaz.
— Quero — Noa respondeu, a voz trêmula. — Me come, velho.
Rei riu, uma risada baixa e safada.
— Vou te comer até você esquecer o nome do seu pai.
Ele passou lubrificante nos dedos e enfiou um no cu de Noa. O rapaz se contorceu, os dedos arranhando a parede.
— Isso — Noa gemeu. — Isso.
Rei enfiou o segundo dedo, depois o terceiro. Noa já estava gemendo alto, a cabeça jogada para trás.
— Você é apertado, Noa — Rei disse. — Vai sentir meu pau inteiro.
— Me fode — Noa pediu, a voz chorosa. — Me fode, velho.
Rei posicionou o pau na entrada do cu de Noa e enfiou devagar. A cabeça entrou, e Noa gritou, um grito abafado pela mão que Rei colocou em sua boca.
— Cala a boca, putinha — Rei disse, começando a meter. — Alguém pode ouvir.
Rei metia forte, cada estocada mais funda. Noa sentia o pau entrar e sair, a dor se misturando com o prazer.
— Porra — Noa gemia. — Você é grande.
— Você gosta, né, Noa? — Rei perguntou, a mão na cintura do rapaz. — Gosta de ser fodido por um velho?
— Gosto — Noa respondeu. — Gosto muito.
Rei metia mais rápido, a mão no pau de Noa, masturbando-o no ritmo das estocadas.
— Você é uma puta gostosa, Noa — Rei disse. — Uma puta de luxo.
— Sou sua puta — Noa respondeu. — Sou toda sua.
Rei metia mais forte, a mão apertando a bunda de Noa, os tapas ecoando no ateliê.
— Vai gozar comigo — Rei ordenou.
— Vou — Noa respondeu.
Os dois gozaram juntos. Noa gozou na mão de Rei, o leite quente escorrendo pela parede. Rei gozou dentro do cu de Noa, o corpo todo tremendo, os gemidos roucos.
Os dois ficaram parados, a respiração pesada.
Rei tirou o pau devagar. Noa ficou deitado contra a parede, o cu escorrendo porra, a boca babada.
— Isso foi bom — Noa disse, a voz cansada.
— Bom demais — Rei respondeu, curvando-se para beijar a testa do rapaz.
Noa olhou para cima, os olhos cor de mel brilhando.
— Você vai pintar isso?
Rei riu.
— Vou pintar você assim. Todo fodido. Todo meu.

Eles transaram no chão do ateliê, contra a parede, sobre a mesa de tintas. Foi sujo, intenso, e Rei gozou como não gozava há anos.
Noa ficou sobre ele.
— Esse retrato vai ser inesquecível.
— Já é.
Depois, eles ficaram deitados no chão.
— Eu nunca quis esse casamento — Noa disse. — Meu pai quer que eu case com uma herdeira, mas eu quero outra coisa.
— O que você quer?
— Quero ser visto.
Rei virou o rosto de Noa e o beijou.
— Eu te vejo.
Rei terminou o retrato de Noa. Mas agora o pintor tinha uma nova obra, escondida no fundo do ateliê.
A obra de arte que importava.

