A festa era na casa do Beto, um amigo do trabalho. Sábado à noite, churrasco na piscina, caixa de som estourando pagode, gente falando alto, criança correndo, e uma fila enorme no banheiro. O tipo de festa que todo mundo vai, ninguém quer ficar, mas ninguém vai embora.
O Rodrigo tinha 34 anos, corpo malhado de quem faz academia cinco vezes por semana, cabelo preto curto e arrumado, barba feita na régua, e um sorriso que abria portas. Ele era designer gráfico, morava sozinho num apartamento no Tatuapé, e tava na festa porque o Beto era cliente. E cliente é cliente.
Ele vestia uma camisa social preta com as mangas dobradas, jeans escuro, e um tênis branco impecável. O tipo de cara que chama atenção sem querer.
A mulher do Beto, a Patrícia, apresentou ele pro pessoal. O grupo era grande, mas teve um rosto que o Rodrigo não conseguiu desviar o olhar.
O cara era o André. Uns 38 anos, alto, forte, ombros largos, cabelo castanho claro com um pouco de grisalho nas laterais, barba feita e bem cuidada. Ele tava com uma camisa pólo azul clara, jeans, e uma aliança de ouro no dedo. Do lado dele, a esposa, uma loira alta e bonita, e mais dois amigos.
O Rodrigo e o André se olharam. Foi rápido, um segundo. Mas o Rodrigo sentiu o choque. O André também. Foi aquele olhar que não precisa de palavra. O olhar que diz “eu sei o que você quer”.
O Rodrigo desviou, pegou uma cerveja, e foi pro canto da piscina. Ficou conversando com uma colega de trabalho, rindo de uma fofoca qualquer, mas o olho não parava de procurar o André.
O André tava na churrasqueira, virando os espetos, rindo com os amigos. Parecia normal. A esposa ria, ele ria. Mas os olhos dele, de vez em quando, encontravam os do Rodrigo.
O Rodrigo sentiu o corpo esquentar. O pau endureceu. Ele tomou mais uma cerveja pra disfarçar.
A noite foi passando. A festa tava cheia, a música alta. O Rodrigo já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha trocado olhares com o André. A cada vez, o olhar do homem casado ficava mais intenso. Mais direto.
O Rodrigo foi no banheiro. Não era o da festa, que tinha fila. Ele lembrou que tinha um banheiro social no corredor do fundo, perto da lavanderia. Foi pra lá.
O banheiro era pequeno, com uma pia, um vaso, e uma porta que trancava. Rodrigo fechou a porta e ficou olhando no espelho.
— Tá maluco — ele sussurrou pra si mesmo. — Ele é casado.
Mas o pau tava duro. Não adiantava mentir.
Uma batida na porta.
Rodrigo abriu. Era o André.
— Posso entrar? — André perguntou, a voz baixa.
Rodrigo olhou pro corredor. Não tinha ninguém. A festa seguia no quintal, longe.
— Entra.
André entrou e trancou a porta.
Os dois ficaram parados por um segundo, se olhando. O espaço era pequeno, e os corpos estavam a centímetros de distância.
— Eu não consigo parar de te olhar — André disse, a voz rouca.
— Eu também não.
André segurou o rosto do Rodrigo e o beijou. O beijo foi bruto, molhado, cheio de tesão acumulado. As mãos do Rodrigo apertaram a cintura do André.
— A gente tem que ser rápido — Rodrigo disse.
— Eu sei.
André ajoelhou. Abriu a calça do Rodrigo, tirou o pau pra fora, e enfiou na boca.
Rodrigo encostou a cabeça na parede, os olhos fechados.
— Porra — ele gemeu baixinho. — Você mama bem.
André chupava com vontade, a boca quente e molhada. A língua deslizava pela cabeça, a mão apertava as bolas. Rodrigo mordeu o lábio pra não gritar.
— Tô perto — Rodrigo avisou.
André não parou. Chupou mais rápido.
Rodrigo gozou na boca do André, e o cara engoliu tudo.
— Agora a minha vez — André disse, se levantando e virando de costas.
Ele apoiou as mãos na pia, a bunda empinada.
— Vai rápido — ele disse. — A esposa pode perceber.
Rodrigo passou lubrificante que tava na pia, enfiou os dedos no cu do André, preparando rápido.
André gemeu baixo.
— Entra.
Rodrigo enfiou o pau. O cu do André era apertado, quente.
— Porra — Rodrigo gemeu. — Você é gostoso.
Ele meteu rápido, sem frescura. O som do corpo se chocando era abafado pela música da festa. A pia rangeu.
— Isso — André gemia. — Isso.
— Vou gozar — Rodrigo avisou.
— Goza dentro.
Rodrigo gozou, o corpo todo tremendo, os gemidos abafados.
Os dois ficaram parados por um segundo, ofegantes.
Rodrigo tirou o pau, ajeitou a calça.
André ajeitou a roupa, passou a mão no cabelo.
— Foi bom — André disse.
— Foi.
André abriu a porta, olhou pro corredor. Vazio.
— Vou sair primeiro — ele disse. — Espera uns minutos.
Ele saiu. Rodrigo esperou, lavou o rosto, olhou no espelho. O homem que ele via não parecia diferente. Mas era.
Cinco minutos depois, ele voltou pra festa.
André tava na churrasqueira, rindo com os amigos. A esposa passou a mão no ombro dele. Ele beijou ela na testa.
Normal.
Como se nada tivesse acontecido.
Rodrigo pegou outra cerveja, sentou numa cadeira, e observou.
A esposa do André riu, ele riu, os amigos riram.
Rodrigo bebeu um gole.
— Tudo bem? — a colega de trabalho perguntou.
— Tudo — Rodrigo respondeu. — Só o calor.
Ele olhou pro André. O homem casado olhou de volta. Sorriu. E voltou a conversar com a esposa.
Rodrigo sentiu o gosto da cerveja.
E o gosto do segredo na boca.
FIM.
